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A Política da Guerra Nuclear, Parte 1

Graphic by Harold Arthur McNeill

3,572 words

Parte 1 de 3

Inglês original aqui

Introdução

O mês passado marcou o 50º aniversário da Crise dos Mísseis Cubanos. Isso mereceu um pouco mais do que uma menção de passagem na mídia, apesar do fato de ter sido o momento mais dramático e icônico do meio século de Guerra Fria, um conflito que teve mais participações do que qualquer outro na história e que continua a assombrar o nosso cenário político atual.

Não quero escrever apenas outra retrospectiva histórica sobre o caso, uma vez que muitos outros já fizeram isso, mas acredito que o mundo multifacetado e complexo da política nuclear ainda hoje é  relevante, e é vital para a compreensão da realidade geopolítica com a qual temos de lidar, como ativistas políticos de vários tipos, para um futuro concebível. Embora os temores de uma guerra nuclear tenham recuado, como os debates atuais sobre o Irã, Paquistão, Coréia do Norte e Israel mostram, a política nuclear continua a ser uma parte da definição do cenário político.

A guerra nuclear exerceu um estranho fascínio sobre mim desde que eu tinha 10 anos de idade, em 1983, quando eu mal tinha idade suficiente para começar a entender que o mundo em que eu vivia, um resultado da Guerra Fria que tinha acabado de ser reaquecida pelo Presidente Reagan, estava passando por uma crise existencial. Reagan chamava a União Soviética de “império do mal”, os soviéticos derrubaram um avião coreano que transportava passageiros americanos, e a OTAN se engajou em um exercício massivo para simular um ataque nuclear contra a URSS que quase desencadeou em coisa real. [1] A sensação de apocalipse iminente pairava pesadamente no ar. O meu entendimento disso foi reforçado pelo dramático documentário gráfico sobre a guerra nuclear “The Day After”, que foi televisionado em novembro, assim como o equivalente britânico, melhor e muito mais assustador, Threads, [2] que foi ao ar no ano seguinte. Lembro-me que comecei a conferir os livros da biblioteca pública sobre o tema das armas nucleares e seus efeitos, que estavam entre os primeiros livros adultos que li. Eu não conseguia entender tudo neles, claro, mas eu compreendia o suficiente para perceber que a sensação de medo não era apenas uma invenção da minha imaginação: era uma realidade terrível, realidade bastante provável que ameaçava irromper a qualquer momento. Eu continuei conferindo mais e mais livros sobre o tema até que minha mãe me obrigou a parar, preocupada com o efeito que isso tinha sobre a minha mentalidade jovem.

Felizmente, eu comecei a ter outros interesses, mas nunca consegui exorcizar o demônio nuclear da minha mente. Sonhos de um mundo despedaçado em uma guerra nuclear ainda continuam a perturbar meu sono de vez em quando. Em alguns aspectos, a realidade das armas nucleares parece uma coisa quase fantástica demais para ser real, assim como quando aprendemos pela primeira vez sobre dinossauros, quando crianças. Durante os anos 90, no entanto, com o fim da Guerra Fria, eu esqueci bastante isso, como a maioria das pessoas, pensando que o perigo havia passado. Mas a partir de alguns anos atrás, eu decidi averiguar para ver o que estava acontecendo hoje. O que eu encontrei não era tranquilizador. A ameaça nuclear realmente não diminuiu; ela foi apenas adaptada e tomou novas formas. E eu acho que é algo que os leitores contra-correntes precisam levar em conta.

Vou tomar como base para as minhas ruminações um livro interessante, embora falho,  escrito pelo jornalista Ron Rosenbaum, que foi publicado no ano passado, melodramaticamente intitulado “Como o Fim Começa: O Caminho para uma Terceira Guerra Mundial Nuclear”. [3] Rosenbaum, como pode-se adivinhar a partir do nome, é um judeu – mais especificamente, um judeu secular, americano que já teve uma longa carreira como jornalista e ensaísta. Os leitores contracorrentes talvez se recordem do seu livro “Explicando Hitler”, de 1998, que era um eforço diferente, embora pouco original, para explicar “o homem mais malvado da história”, baseando-se em especulação psicológica e similares. Rosenbaum falhou em encontrar uma explicação satisfatória, no entanto, uma vez que o Hitler imaginado por pessoas como ele é um sobre-humano, quase uma figura sobrenatural, de tão grande que é o “mal” que projetam sobre ele. Mas esse é, talvez, um assunto para outro ensaio. Eu uso o livro de Rosenbaum aqui porque é um levantamento introdutório útil, e também porque sua identidade judaica, a qual ele traz assumidamente ao escrever livro, revela muito sobre as atitudes Sionistas e neoconservadoras em relação à política nuclear, lições que faríamos bem em prestar atenção. Mas em geral, eu acho que é importante fornecer aos leitores contracorrentes uma visão geral da situação nuclear hoje em dia, por razões que eu espero se tornarem aparentes.

O Divisor de Águas Nuclear: A Crise dos Mísseis Cubanos

Eu deveria escrever alguns parágrafos sobre a Crise dos Mísseis Cubanos em si, uma vez que para muitos americanos, inclusive eu, foi ensinada uma versão muito incompleta e distorcida do que realmente aconteceu (o livro de Rosenbaum não abrange a Crise, além de algumas coisas à parte). A narrativa convencional é de que os soviéticos e seu capanga, Castro, ansiosos para encontrar uma maneira de espancar os Estados Unidos, diabolicamente e sem qualquer provocação começaram a pôr mísseis em Cuba com a intenção de fundir-nos em pedacinhos. Os bravos homens da CIA descobriram a trama apenas em cima da hora, antes que os mísseis fossem operacionalizados, e Kennedy disse aos comunistas para colocarem um fim a essa tolice. Kennedy ficou de igual para igual com Khrushchev, ameaçando atacar Cuba, a fim de impedir que os mísseis fossem ativados, mesmo que isso significasse uma guerra mundial entre as superpotências. Khrushchev, assustado por essa demonstração de determinação americana, trouxe seus navios correndo para casa, pressagiando a vitória total da democracia que levou mais de 30 anos para se concretizar.

A realidade era muito diferente, e somente nos últimos anos certos documentos vêm sendo desclassificados e revelações de ambos os lados veicularam a verdadeira história. O fato é que os dirigentes soviéticos não viram a sua instalação de mísseis em Cuba como um ato agressivo, mas sim como uma forma de preservar o equilíbrio de poder, já que os EUA tinham colocado mísseis nucleares na Itália e Turquia, que ficavam mais ou menos a uma mesma distância da União Soviética como Cuba é de nós. Khrushchev foi pego de surpresa quando os americanos reagiram tão fortemente como fizeram. Além disso, a ideia de que Khrushchev “pestanejou” era uma falácia inventada para aplacar a opinião pública americana. Kennedy realizou negociações clandestinas secretas com Khrushchev durante a crise, prometendo que a América nunca invadiria Cuba e que os mísseis americanos na Itália e na Turquia seriam removidos silenciosamente, em 1963, em troca da retirada de Khrushchev de Cuba. Ambos os lados honraram os seus compromissos, e a paz foi mantida – pelo menos até a próxima crise (que foi a Guerra do Yom Kippur em 1973).

A única parte exata da sabedoria popular americana sobre a Crise é que esse foi o momento em que as superpotências chegaram mais perto de uma guerra nuclear do que qualquer outro momento durante a Guerra Fria. Na verdade, a guerra estava ainda mais perto do que se pensava na época. A CIA estava errada quando disse que os mísseis cubanos ainda não tinham sido ativados quando eles foram descobertos. De fato, várias centenas de armas estratégicas e táticas já eram operacionais, e tinham sido colocadas sob o comando de Fidel Castro. Em anos mais recentes, Castro deixou claro que certamente teria usado-as em face de um ataque americano. Armas táticas foram mobilizadas para destruir a base americana na Baía de Guantánamo, assim como qualquer força de invasão, e as ogivas estratégicas teriam sido disparadas sobre os Estados Unidos continental. E em um ponto, como o comboio naval soviético se aproximou do bloqueio americano ao redor da ilha, um capitão do submarino russo ordenou que seu navio disparasse um torpedo nuclear contra os navios americanos, e só foi impedido de fazê-lo pelo comandante do comboio.

Do lado americano, temendo que Washington fosse um dos primeiros alvos destruídos em uma guerra total, os militares contornaram a autoridade supostamente sacrossanta do presidente sobre as nossas forças nucleares e comando delegou comando a muitos oficiais de baixa patente, garantindo que a morte do presidente e seus sucessores não parasse a resposta de retaliação americana (o que significa que um oficial menos estável obcecado com a idéia de “aniquilar os comunistas” teoricamente poderia ter lançado um ataque nuclear por conta própria, sem qualquer autoridade superior, à la Dr. Strangelove).

Mesmo os homens da “vanguarda”, por assim dizer, prepararam-se para o pior. Então, assim como atualmente, as salas de controle dos primeiros Mísseis Balísticos Intercontinentais (ICBMs) exigiam que os dois homens da tripulação girassem suas chaves de lançamento simultâneamente para disparar os mísseis sob seu comando. A razão para isso é que se um tripulante que enlouquecesse, não poderia lançar sem o consentimento do colega (esperançosamente mais são). O que incomodava os missilheiros iniciais, como são chamados, era que um deles poderia de repente ficar com medo quando a ordem de lançar fosse recebida, angustiado com a ideia de aniquilar potencialmente milhões de russos, leste europeus ou chineses por vingança pelas decisões de seus políticos, para não mencionar a retaliação inevitável que seria levada para solo americano, e se recusassem a girar a chave. Os missilheiros chegaram a uma solução: atirar no seu companheiro hesitante com uma arma, amarrar uma extremidade de um longo pedaço de corda em uma colher e a outra extremidade na chave do seu parceiro, e girar as duas por conta própria. (Aparentemente, isso foi mantido como um truque secreto dos missilheiros por muitos anos, apesar de que os controles da ICBM atual foram supostamente redesenhados para tornar isso impossível.)

Em suma, durante esses dias de outono fatídicos, o mundo preparou-se para trazer um apocalipse feito pelo homem do tipo que tinha um precedente único nas passagens mais sombrias das Escrituras Sagradas. Provavelmente, não é correto dizer que a III Guerra Mundial em outubro de 1962 teria sido o “fim do mundo”, mas certamente teria sido o fim das civilizações norte-americana, europeia, russa e chinesa (China fazia parte dos planos americanos da guerra nuclear na época), como nós conhecemo-nas, e também teria causado muitas mortes e destruição em todo o resto do mundo.

Ironicamente, embora raramente seja enquadrada desta forma em textos históricos, a coisa toda realmente acabou sendo muito barulho por nada, já que até o final da década de 1960, os dois lados tinham construído milhares de bases aéreas, navais e terrestres de ICBM que eram, e são, mantidos em alerta constante, e podem atingir suas metas em 30 minutos ou menos. Como resultado, a necessidade de manutenção das bases de mísseis em estreita proximidade do território inimigo tornou-se obsoleto dentro de poucos anos da Crise, e ambos os lados foram capazes de ameaçar o outro com impunidade. Estava também muito longe do único momento em que as duas potências chegaram à beira da guerra. No entanto, poucos historiadores questionariam que esse foi o momento em que a Guerra Fria chegou mais perto de ficar quente do que em qualquer outro momento.

Política Nuclear Hoje: Mantendo o Velho Jogo Vivo

Em termos de fornecer uma visão geral sobre o tema da política e moralidade nuclear envolvendo os Estados tradicionais nucleares (os EUA, Rússia, Reino Unido, França e China), o livro de Rosenbaum é uma boa introdução ao assunto. Ele não apresenta nada que não possa ser estudado com mais profundidade em outro livro, mas ele o faz de uma maneira divertida e fácil de ler. Seu estilo é mais jornalístico do que acadêmico (um hábito que pode se tornar irritante, como vou descrever mais tarde), muitas vezes apresentando coisas em termos de anedotas pessoais e com apartes editoriais. Ele discute algumas das lições importantes a serem aprendidas com a experiência da Guerra Fria, onde apresenta uma ampla evidência de que o fato que o mundo fez isso através de quatro décadas de Destruição Mútua Assegurada teve tanto a ver com sorte, quanto com a prevalência da sanidade entre os diversos líderes políticos.

Rosenbaum em seguida, leva-nos até as duas décadas seguidas desde então. Esses capítulos do livro servem para corrigir a impressão na consciência popular de que o fim da Guerra Fria significou o fim da ameaça nuclear. Embora não se possa negar que o colapso da União Soviética reduziu muito o risco de conflito, o fato é que pouco mudou no impasse desde 1980. Tanto a Federação Russa quanto os Estados Unidos mantêm arsenais de milhares de armas nucleares com base em silos, submarinos e bombardeiros que são mantidos em constante alerta, prontos para lançarem a qualquer momento, e capazes de atingir qualquer ponto do globo. Certamente, há muito menos deles hoje em dia do que havia há 25 anos atrás, mas cada país mantêm o suficiente para devastar completamente o outro, se a situação apertar. (De acordo com os relatórios de 2011, as duas nações mantêm cerca de 2.000 armas em alerta a qualquer momento, e cada uma tem alguns milhares armazenadas que podem ser rapidamente reativadas. Rosenbaum corretamente aponta que os números reais podem ser até maiores.) É é também um facto que ambos continuam se prepararando ativamente para a possibilidade de uma guerra contra o outro, como através de patrulhas aéreas, que procuram detectar buracos nas defesas do outro lado do ar. E poucos acreditam que os sistemas de defesa antimísseis que os governos de Bush e Obama trabalharam para estabelecer nas imediações da Rússia são puramente destinados para a defesa contra “Estados párias”, como Irã ou Coreia do Norte.

Rosenbaum descreve uma conversa que teve com o coronel aposentado da Força Aérea dos EUA, Sam Gardiner, sobre a invasão da Geórgia pela Rússia em agosto de 2008. Gardiner chama a atenção para o fato de que, em uma coletiva para a imprensa durante a crise, a Casa Branca mencionou que os russos haviam movido alguns de seus mísseis SS-26 Iskander para a zona de combate. O SS-26 é um míssil de curto alcance, que pode ser armado tanto com as ogivas convencionais, quanto com as nucleares. Certamente, não tinham a intenção de serem usados sobre as forças georgianas, que já estavam muito ultrapassados pelos russos. É mais provável, diz Gardiner, que estivessem destinados a enviar uma advertência para os Estados Unidos não intervir. Os EUA não tinham como saber se os mísseis estavam com ogivas nucleares ou não, mas essa incerteza forçou o Pentágono para um novo cálculo estratégico. Gardiner estava incerto se existe ou não planos atuais dos Estados Unidos para auxiliar os georgianos, mas em qualquer caso, a presença dos mísseis elevou as apostas, e teve, provavelmente, a intenção de ser um impedimento.

Falando da SS-26, Rosenbaum chama a atenção para o fato de que a Rússia anunciou que iria estar posicionando alguns deles dentro do alcance da Polônia, aonde o sistema de defesa antimísseis da era Bush estava para ser instalado, dentro das horas de inauguração da posse do presidente Obama . Obama acabou cancelando o plano de Bush. Se isso foi feito como uma resposta direta às ameaças russas, não podemos saber, mas parece uma possibilidade tentadora. (Claro, Obama já substituiu o plano de Bush com um sistema de defesa antimísseis de sua autoria, que os russos não acham menos ameaçador.)

Moral da história? O velho jogo de provocação nuclear está vivo e muito bem.

Isso pode parecer um simples golpe de sabre, nesse ponto da história, mas o fato de que os últimos 20 anos têm sido relativamente pacífico entre as duas nações não significa que será sempre assim. Se o “colapso”, econômico ou não, que muitas vezes é previsto que realmente aconteça, é uma certeza de que as nações do mundo utilizarão todos os métodos à sua disposição para tentar dominar o que resta dos recursos globais, e reafirmar a sua capacidade minguante de projetar poder militar. Armas nucleares ainda são uma forma barata e eficaz – muito mais do que as armas convencionais – de intimidar um adversário. Há, portanto, pouca dúvida em minha mente de que se uma verdadeira crise global ocorresse, as armas nucleares retornariam para um papel ainda mais proeminente na diplomacia e guerra. Velhas rivalidades reacenderiam, e novas poderiam incendiar-se. Desta vez, no entanto, a luta não será sobre a ideologia, mas sobre energia, alimentos, água e outros recursos – em outras palavras, sobrevivência. O desespero que essa situação vai gerar, fará com que o uso atual de tais armas, em vez de simples ameaça, seja uma possibilidade distinta.

Rosenbaum cita o cientista político de Harvard, Graham Allison, que aparentemente tem pensando de forma smiliar, a partir de um artigo de 2010 na Foreign Affairs: “A ordem nuclear mundial hoje em dia pode ser tão frágil quanto a ordem financeira global foi há dois anos atrás. . . e o colapso da ordem nuclear global. . . e as consequências [do colapso] fariam o terrorismo nuclear e a guerra nuclear tão iminentes que os estadistas prudentes deveriam fazer o possível para impedir isso.”

E isso é para ainda não mencionar o espectro sempre presente de uma guerra em erupção por causa de um erro, um acidente ou até mesmo as ações maliciosas de um líder político ou militar que perdeu a cabeça, como no clássico filme Dr. Strangelove. Rosenbaum relata uma série de acidentes que quase ocorreram de arrepiar os cabelos em ambos os lados da Cortina de Ferro em sua discussão sobre a Guerra Fria, durante a qual falsas indicações de um ataque em andamento quase levou a um contra-ataque acidental. Em cada caso, a guerra foi evitada apenas como resultado de um indivíduo oficial superando os procedimentos prescritos em favor do seu próprio julgamento. E alguns dos entrevistados por Rosenbaum que têm servido com armas nucleares, atestam que a sabedoria popular sobre as nossas armas – de que apenas o presidente tem a capacidade de autorizar a sua utilização – foi e continua sendo uma ficção destinada a acalmar os temores do público, bem como dos próprios militares.

Como Rosenbaum descreve no livro, há muitos políticos e analistas que têm chegado à conclusão (geralmente só depois que suas carreiras políticas se encerram, ele observa) de que o melhor plano de ação seria abolir as armas nucleares por completo. Isso é muitas vezes referido como “Global Zero”, ou o sonho da eliminação universal das armas nucleares em todos os países. O problema é que nenhum estado voluntariamente desistirá de todas as suas armas, já que não se pode contar com o fato de que todo mundo vai seguir o exemplo. (Até o momento, a África do Sul é o único país a ter desmantelado o seu arsenal voluntariamente, o que foi feito no início de 1990, pouco antes da ascensão de Nelson Mandela, por razões óbvias.) Segundo alguns especialistas na área citados no livro mencionado, a única maneira que poderia se tornar ainda remotamente prática seria se algum organismo internacional estivesse surgindo, independente de quaisquer lealdades nacionais, imbuído de poder político e militar suficiente para impor sua vontade sobre todas as nações, e equipado com a liberdade para entrar em qualquer estado escolhido, a qualquer momento, a fim de assegurar que todos estejam obedecendo à proscrição. Ainda mais fantasticamente, tal instituição só poderia vir a existir se todas as nações do mundo o permitissem, entregando voluntariamente a sua soberania. Tal organização é certamente coisa fictícia (e se assemelha a algumas das fantasias utópicas de HG Wells, tais como a “Ditadura do Ar”, que consiste em guias fascistas comprometidos a abolir a guerra, em seu romance de ficção científica de 1933 A Forma das Coisas Por Vir).

Um plano de ação mais realista seria se as potências nucleares do mundo  levassem suas armas para fora do estado de alerta. Esta é também a solução que o próprio Rosenbaum preconiza. A melhor maneira de fazer isso seria armazenar ogivas nucleares separadas de seus lançadores. Em uma crise, elas poderiam ser recolocadas e voltarem para suas posições de lançamento, mas esse processo levaria várias horas, e seria detectado por qualquer nação com capacidade de monitoramento via satélite. A vantagem é que isso daria aos governos envolvidos tempo para negociar com o lado oposto antes de quaisquer armas serem realmente utilizadas. É claro, isso só funcionaria se todas as nações que atualmente mantêm forças nucleares em alerta constante implementassem este plano. E, claro, até mesmo isso não acabaria com a possibilidade de uma guerra nuclear, mas pelo menos removeria a ameaça de uma guerra acidental. Concordo com Rosenbaum de que esta é a atitude mais sensata, sendo muito menos utópico naturalmente do que a ideia de um observatório supra-nacional, mas os planejadores estratégicos recusam tal noção, agarrando-se à ideia de que um “ataque relâmpago”, que acabaria com seu arsenal antes de qualquer coisa, continua a ser uma ameaça real. Sendo assim, qualquer baixa significativa na nossa postura atual é pouco provável que venha a ocorrer no futuro imediato.

Notas

1. Para um olhar fascinante sobre o quão perto o mundo realmente esteve do abismo nuclear em 1983, eu recomendo odocumentário bem feito da BBC de 1983: À Beira do Apocalipse, que está disponível no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=8kTnXqfT1Mk).

2. Threads continua a ser uma experiência de visual angustiante ainda hoje, e pode ser o maior filme já feito sobre o apocalipse. Também foi carregado no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=_MCbTvoNrAg).

3. Ron Rosenbaum, Como o Fim Começa: O Caminho para uma Terceira Guerra Mundial Nuclear (Nova Iorque: Simon & Schuster, 2011).

Source: http://legio-victrix.blogspot.com/2012/12/a-politica-da-guerra-nuclear.html

 

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