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A Política da Guerra Nuclear, Parte 3

3,495 words

Samson, Asdod, Israel

Parte 3 de 3

Inglês original aqui

O Espectro do Holocausto 

De acordo com Rosenbaum, a paranóica política nuclear de Israel é justificada pelos temores de um “segundo Holocausto”. Ele diz que esse termo tem sido usado por israelenses pelo menos desde a década de 1960 para expressar sua crença nas intenções genocidas dos seus vizinhos, mesmo que Israel nunca tenha perdido uma guerra contra eles. Rosenbaum diz que ele foi induzido a começar a usar esse termo em seus próprios escritos depois de ler o romance Operação Shylock por Philip Roth, de 1993, em que um dos personagens do romance se queixa que, por se mudarem em massa para Israel, os judeus transformaram Israel em um campo de concentração de sua própria autoria, e que o segundo Holocausto poderia ser alcançado muito facilmente através da utilização de armas nucleares. Rosenbaum afirma que devido o tamanho de Israel, a grande maioria de sua população poderia ser morta por apenas uma ou duas ogivas nucleares de maior rendimento.

Para Rosenbaum, os temores sionistas e israelenses em relação às armas nucleares nas mãos de muçulmanos só podem ser compreendidos dentro do contexto da memória do Holocausto, e da conduta esmagadora para evitar que se repita. [9] Ele certamente não está sozinho nessa; sionistas têm continuamente invocado Hitler e o Holocausto quando se discute sobre quem se opõe a eles. Saddam Hussein foi repetidamente comparado a Hitler entre 1990 e 2003, depois que os americanos e israelenses, que tanto o apoiaram durante a década de 1980 contra o Irã, decidiram colocar o Iraque do outro lado da cerca. Como Hussein se foi, o Irã rapidamente tomou seu lugar. “É 1938, e o Irã é a Alemanha”, Benjamin Netanyahu disse. “E o Irã está correndo para se armar com bombas atômicas.”

Em relação a isso, ao defender a ideia de um segundo Holocausto, Rosenbaum discute brevemente a história de Haj Amin al-Husseini, o ex-Grão-Mufti de Jerusalém, um líder muçulmano palestino que fez transmissões de rádio em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial, empenhando-se em motivar os muçulmanos do mundo todo a lutar em nome do Terceiro Reich. Isso se tornou uma alegoria sionista comum nos últimos anos, e vários livros já foram publicados sobre Husseini, alegando que a retórica islâmica atual em relação aos judeus descende diretamente dos esforços da propaganda de Husseini. Este é um estratagema bastante inteligente, uma vez que visa eliminar o atual status dos palestinos como vítimas da repressão e limpeza étnica judaica e colocá-los em pé de igualdade com os próprios Nacional-Socialistas, tornando então os palestinos culpáveis no Holocausto.

Embora seja verdade que alguns muçulmanos (principalmente dos Balcãs) tenham servido nas fileiras da Waffen-SS, é um exagero argumentar que eles tinham alguma coisa a ver com as políticas raciais alemães ou com a operação nos campos. Quanto ao islamismo atual, acho difícil de acreditar que os palestinos (cuja maioria não é islâmica) precisaram reciclar propaganda do anos 40 para aprenderem a odiar os judeus, dado o tratamento que recebemos deles desde 1948. No entanto, isso é o que Rosenbaum e os outros gostariam que acreditássemos. É apenas uma versão mais elaborada do seu velho recurso de acusar qualquer um que critique o poder israelense ou judeu de ser nazista.

Rosenbaum vem escrevendo e falando sobre este assunto por muitos anos antes da publicação deste livro, e ele já havia sido censurado por alguns críticos de Israel por sua insistência em invocar o Holocausto para justificar a atual política israelense. Surpreendentemente, Rosenbaum refere-se a essas pessoas como “negadores do segundo Holocausto “ que estão envolvidos em “inconsequencialismo do Holocausto.” Ele escreve:

“Sob vários aspectos,o inconsequencialismo do Holocausto é pior do que a negação do Holocausto, porque o inconsequencialismo não nega que isso aconteceu; ele reconhece o assassinato em massa, mas acrescenta insulto à injúria, privando essas vidas assassinadas de qualquer possível significado para a vida. Na verdade, o desejo de “banir” não é sequer a negação do segundo Holocausto: é um convite à rasura do primeiro Holocausto, para a eliminação. A Solução Final para a Solução Final: esquecer, erradicar isso para todos os efeitos práticos.”

Isso me lembrou do ensaio recente “Lidando com o Holocausto” de Greg Johnson, e sua visão de refutar a relevância contínua do Holocausto na política contemporânea é uma estratégia melhor para aqueles que buscam combater a propaganda sionista, em vez de tentar negar que aconteceu [10].

Do “Segundo Holocausto” a “Opção Sansão”

O problema da associação do que foi, alegadamente, a maior atrocidade da história humana com a política nuclear é que isso inspira uma imensa pretensão de superioridade moral. Tanto que, na verdade, os judeus ainda se sentem justificados em fazer ameaças, não apenas contra seus inimigos, mas até mesmo contra seus próprios aliados. E isso é algo que os leitores do mundo todo fariam bem em entender.

“A própria secundidade do segundo Holocausto carrega consigo uma tentação de abandonar todos os pensamentos de proporcionalidade em retaliação, e punir todo mundo, não para evitar um, mas dois massacres de um povo”, escreve Rosenbaum. E, novamente, ele não está sozinho nessa ideia. Ele está se referindo à Opção Sansão, que há muito tem sido especulada como sendo uma estratégia real nas prateleiras das Forças de Defesa de Israel para ser usada caso Israel escolha empregar a retaliação nuclear em face da derrota total. Ninguém sabe ao certo o que há nela, já que Israel nunca admitiu sua existência. Na verdade, Israel nunca afirmou que tem armas nucleares, mas indícios suficientes foram descobertos ao longo dos anos, alguns dos quais pelos próprios israelenses, então há pouca duvidas de que eles possuem uma. Algumas estimativas supõem que seu arsenal tenha 400 ogivas, o que tornaria Israel uma das maiores potências nucleares do mundo. Eles continuam se omitindo sobre o assunto em termos oficiais, já que admitir faria com que fossem sujeitos a recriminação internacional, e eventuais sanções, nos termos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Alguns dizem que a Opção Sansão é um mero plano de contingência padrão a ser implementado contra um inimigo que está prestes a ultrapassar a Israel. Outros dizem que é muito mais do que isso. Ele pode incitar um ataque ao mundo não-judaico.

Israel “usaria seus mísseis nucleares para fazer mais do que retaliar contra certos atacantes de Israel; seus mísseis nucleares seriam usados para derrubar os pilares do mundo (atacar Moscou e as capitais europeias, por exemplo), alegando que eles permitem – ou toleram –  o anti-semitismo, tornando ambos holocaustos, o primeiro e o segundo, possíveis”, escreve Rosenbaum.

Você leu corretamente. Na mente de alguns sionistas, a destruição de Israel lhe confere o direito de levar abaixo todo o resto do mundo junto com eles, mesmo que o resto do mundo não tenha nada a ver com a derrota deles.

Rosenbaum não é o primeiro a tentar racionalizar uma coisa dessas. Ele cita um artigo de opinião infame escrito pelo professor David Perlmutter da Universidade do Estado da Louisiana, em 2002: “O que serviria melhor a um judeu odiador do mundo no reembolso de milhares de anos de massacres, se não um inverno nuclear. Ou então convidar todos aqueles estadistas europeus e ativistas pacifistas para se juntarem a nós nos fornos? Pela primeira vez na história, um povo enfrenta o extermínio, enquanto o mundo gargalha ou desvia o olhar — ao contrário dos armênios, tibetanos, judeus europeus da Segunda Guerra Mundial ou ruandeses —temos o poder de destruir o mundo. A justiça final?”[11]

Na mesma linha, Martin van Creveld, um proeminente historiador militar israelense que viaja nos corredores do governo de Israel, disse em 2003: “Nós possuímos várias centenas de ogivas e mísseis nucleares e podemos lançá-los em alvos em todas as direções, talvez até mesmo em Roma. A maioria das capitais europeias são alvos da nossa força aérea. Deixe-me citar o general Moshe Dayan: ‘Israel deve ser considerado um cachorro louco, demasiado perigoso para se imolar.’ Considero tudo isso sem esperança neste momento. Devemos tentar impedir que as coisas que estão para vir terminem assim, se possível. Nossas forças armadas, no entanto, não são as trigésimas mais fortes no mundo, mas sim a segunda ou terceira. Temos a capacidade de derrubar o mundo com a gente. E eu posso garantir que isso vai acontecer antes que Israel afunde.” [12]

Para mim, isso soa como os delírios de um egomaníaco ou os gritos de uma criança mimada, um mau perdedor com o poder de destruir o mundo em um ataque de despeito suicida. Se for verdade, despe qualquer equivalência moral e superioridade, que Israel reclama com o resto do mundo, incluindo seus inimigos muçulmanos. Pelo tanto que sei, Paquistão, Síria ou o Irã nunca ameaçaram atacar a Rússia, Europa ou Japão em represália por ações tomadas pelos israelenses. Os claramente sionistas realmente não estimam muito os não-judeus. A própria ideia da Opção Sansão implica que eles se vêem como moralmente superiores ao resto da humanidade, que deve ser submetida através do medo e das ameaças. É claro que não temos nenhum meio de saber se essa é ou não uma doutrina verdadeira da IDF. Talvez seja apenas uma tentativa grosseira feita por alguns poucos sionistas frustrados para intimidar o resto do mundo a apoiar suas políticas. Mas o fato de que muitos deles estão discutindo isso abertamente é preocupante. E Israel certamente tem a habilidade técnica para realizar tal ataque se quiser.

Em 2008, a IDF introduziu o ICBM Jericó III em seu arsenal, que é conhecido por ser capaz de carregar ogivas nucleares. Israel afirmou que o míssil tem um alcance que torna possível atingir qualquer lugar em todo o Oriente Médio, assim como grande parte da Europa e da África. Relatórios de inteligência norte-americanos, no entanto, afirmaram que seu alcance real pode ser suficiente para atingir a Ásia, bem como a América do Norte e do Sul, dando-lhes uma capacidade nuclear, no mesmo nível dos EUA e da Rússia.

Além de seus mísseis, Israel atualmente alinha uma frota de quatro submarinos de ataque da classe Dolphin, que foram especialmente concebidos para Israel e pagos pela Alemanha. Mais dois estão em construção. (O governo alemão disse que isso foi feito como compensação para a assistência prestada por empresas alemãs para o programa de armas químicas do Iraque na década de 1980, embora eu não acredite que não haja algum elemento de reparação do Holocausto envolvido.) Como os submarinos são indetectáveis enquanto submersos, isso dá a Israel uma capacidade de ataque em qualquer lugar do mundo, mesmo presumindo que todos seus mísseis superficiais fossem destruídos em um ataque surpresa.

Portanto, mesmo que a Opção Sansão seja uma realidade, os israelenses estão certamente preparados para realizá-la.

Rosenbaum, no entanto, ainda é um liberal americano no coração, e ele deve ter percebido o quanto suas justificativas para a Opção Sansão pareceriam loucura aos olhos de seus leitores não-sionistas. Assim, ele retorna a um assunto que ele tinha levantado no início do livro em relação à Guerra Fria, questionando se a ideia de retaliar contra um inimigo (e provocando a destruição de toda população do inimigo, e não apenas das pessoas responsáveis pela guerra), mesmo que a detenção tenha falhado e que o país já esteja em ruínas, seria moralmente justificável. Isso, afinal, é o essencial, e é a pergunta de qualquer nação que pratica a dissuasão nuclear. Rosenbaum chama de “questão proibida”.

Para examinar a questão no contexto de Israel, Rosenbaum busca Moshe Halbertal, um professor israelense que ensina ética e direito internacional, tanto na Universidade de Nova Iorque quanto na Universidade Hebraica de Jerusalém. Halbertal tem credenciais interessantes, sendo o co-autor do código de ética da Força de Defesa de Israel. Rosenbaum levanta a questão da moralidade de retaliação nuclear israelense para ele. No caso do uso de armas nucleares contra uma nação que está se preparando para usá-las contra Israel, Halbertal diz que sim, é justificada – o que não surpreende.

Ele faz um comentário estranho sobre isso, que se Israel atacar um país, tal como o Irã, para prevenir seu país de um ataque nuclear, ele também teria que visar o arsenal nuclear do Paquistão, no caso do Paquistão decidir vingar seus irmãos muçulmanos. Eu não sei porque Halbertal faz esse salto de lógica, uma vez que o Paquistão nunca declarou qualquer intenção de vir em auxílio de outra nação que ataca Israel, e não tem nenhum interesse aparente em fazê-lo. Mas uma coisa que aprendi nesse livro é que a paranóia sionista não conhece limites.

Mas a conversa toma um rumo interessante quando Rosenbaum pergunta a ele sobre uma detenção numa situação em que Israel já foi destruído – um dilema que pode ser enfrentado pelos oficiais a bordo de submarinos israelenses no mar, depois de receberem a informação de que a guerra foi perdida e que sua nação está em ruínas. Então, deveria ele atirar, sabendo que o destino de Israel já foi selado? Halbertal se refere a essa situação como de “moralidade esotérica.” Segundo ele, Israel deve fazer seus inimigos acreditarem que usaria suas armas nessa situação, mas na realidade, os líderes de Israel e os comandantes devem saber que não deveriam usá-las caso tal cenário de fato sucedesse. Para ele, essa é a única posição moralmente defensável. Isso me lembrou um pouco do conceito de George Orwell de “duplipensar”, onde se detêm duas posições contrárias ao serem verdadeiras ao mesmo tempo. Mas eu realmente não posso ser muito duro com os israelenses, neste caso, já que é um dilema moral que todas as potências nucleares devem enfrentar.

Um adendo interessante para a discussão é quando Rosenbaum começa a se perguntar se ele realmente deveria escrever sobre a conversa no livro, pois ele teme que poderia implantar na mente dos inimigos de Israel a ideia de que Israel não leva a sério seu impedimento . Então ele contatou Halbertal e perguntou se ele deveria escrever sobre isso – e Halbertal, sem surpresa dado o que está escrito no livro, disse que sim.

Acho que é proporcionado um vislumbre de tranquilidade ao perceber que pelo menos alguns sionistas não concordam com a justeza moral da Opção Sansão, mas as decisões em tempo de guerra não são feitas como resultado de profundas conversas filosóficas em escritórios de universidade, mas em curtos períodos de tempo e sob forte pressão. E eu não acredito que missilheiros e sub-comandantes israelenses tomariam caminho certo, especialmente se eles têm treinamento e ordens contrárias..

De qualquer forma, com ou sem a Opção Sansão, Israel certamente conseguiu instalar-se como a peça fundamental de qualquer crise nuclear que é suscetível de acontecer em um futuro próximo. Entretanto, o problema de novas nações ingressarem no “clube nuclear”, nações que podem ou não exercer tanto a coibição quanto as potências nucleares existentes têm feito até hoje, é algo que não está restrito apenas ao Oriente Médio. A Coreia do Norte, depois de tudo, conseguiu escapar do radar dos cães de guarda internacionais. Como Rosenbaum observa corretamente, os Estados Unidos originalmente começaram sua perseguição pela bomba atômica depois que se tornou conhecido, em um empenho liderado por Einstein, que o Terceiro Reich estava trabalhando na mesma coisa. Os EUA esperavam ser os primeiros a construir uma e, assim, antecipar a “bomba nazista.” (A Alemanha, claro, entrou em colapso antes de cada lado desenvolver armas nucleares, assim, o Japão tornou-se o local de uma demonstração que visava tanto a a URSS quanto os japoneses) Esse é o incrível poder das armas nucleares: elas são tão assustadoras que a principal razão pela qual as nações procuram construí-las é evitar que outras nações usem-nas primeiro.

O problema, entretanto, é como os estados nucleares existentes podem continuar a manter um monopólio sobre armamentos nucleares, insistindo que nenhuma outra nação pode participar do seu clube. A intenção original do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que foi introduzido pela primeira vez em 1970, era que todas as nações finalmente se desarmassem. Na prática, no entanto, tem sido utilizada como um porrete pelas principais potências nucleares contra nações não-nucleares, enquanto elas mesmas apresentam pouca intenção de se desarmarem. Outras nações, portanto, têm pouca motivação para exercer a coibição enquanto este duplo padrão persistir, e enquanto nações não-nucleares estiverem sujeitas aos caprichos do “Primeiro Mundo” – o Iraque foi invadido com base em falsas alegações de possuir armas de destruição em massa, depois de tudo, e o regime de Kadhafi na Líbia foi destruído, apesar do fato de que ele abriu mão voluntariamente do seu programa nuclear em 2003. Essa não é uma boa maneira de persuadir outras nações de que seguir o Tratado de Não Proliferação é uma boa decisão.

Quanto a Rosenbaum, foi interessante ver a frieza que ele demonstrou ao tratar da situação entre a Rússia e os EUA, onde apela por cooperação e compreensão, que foi rapidamente abandonada quando entrou no assunto de Israel. Mas isso é típico do pensamento sionista, no qual as regras que submetem o resto do mundo são consideradas inaplicáveis quando se trata do Estado judeu.

O Futuro: A Moralidade das Armas Nucleares

Eu percebo que há um longo caminho a percorrer antes que a Nova Direita norte americana, ou qualquer um dos grupos similares em todo o mundo ocidental, tenha algo a dizer sobre a política internacional ou nuclear. No entanto, eu acho que é importante para nós estar ciente e começar a pensar sobre este assunto, porque as armas nucleares não vão a lugar algum e poderiam voltar ao cenário político com uma represália num futuro não muito distante. Eventualmente, se formos bem sucedidos, elas terão que ser consideradas tanto como uma arma nas mãos de nossos adversários (por exemplo, em caso de secessão, deveria  o governo dos EUA deixar os rebeldes seguirem seu próprio caminho incólumes?) quanto como algo para o qual devemos direcionar nossas próprias atitudes.

Rosenbaum está certo ao argumentar sobre a “questão proibida”: o uso atual de armas nucleares é moral? Pessoalmente, eu acredito que, não importa o que um sistema de crenças subscreve, a resposta deve ser um não bastante enfático. As armas nucleares não fazem distinção entre combatentes e não-combatentes. Além disso, têm um efeito extremamente destrutivo para o ambiente, que não é limitado a área de destino. Ainda mais importante, na medida em que mais de uma nação possui as armas, sua utilização implica sempre o risco de provocar uma resposta igualmente devastadora do outro lado.

Mesmo além de tais questões morais, entretanto, o que preocupa é se as armas nucleares estão ou não nas mãos de pessoas que afirmam defender valores tradicionais de qualquer tipo (e não me refiro apenas no sentido de Tradicionalismo). A guerra nuclear é a expressão máxima da mentalidade industrial em forma de arma – a morte produzida em massa e destruição em uma escala inimaginável. Elas são o tipo de arma para pessoas preguiçosas e covardes, permitindo que os piores elementos da humanidade para se mantenham seguros em casa, sabendo que seus inimigos podem ser eliminados com o pressionar de um botão, enquanto eles se deleitam na decadência.

Como Mark Dyal nos lembrou em sua recente série de ensaios sobre o vitalismo, a maneira pela qual os membros de uma civilização conduzem suas vidas determina suas qualidades. A ironia de armas nucleares é que, por serem tão horríveis e omnipotentes, elas acabam tornando a guerra, atualmente, uma coisa terrível de se praticar, deixando que as nações resolvam suas diferenças através de políticas econômicas e tratados – atividades passivas. Os homens não têm motivos para treinarem e se endurecerem para a batalha, e ao invés disso, recorrerem a videogames e assistem a esportes na TV como um escape para seu instinto agressivo natural. E já podemos ver o tipo de sociedade que tal modo de vida produz. A guerra deve ser uma competição entre homens bravos e heróicos, e não um processo impessoalizante em que os combatentes nunca sequer olham o inimigo nos olhos, exceto, talvez, em uma tela.

Portanto, eu acho que a eliminação das armas nucleares deve ser uma das principais metas da Nova Direita. Sei que é improvável que seja um objetivo prático de um futuro próximo, mesmo se alcançarmos qualquer poder político, uma vez que os nossos inimigos não são suscetíveis a respeitar nossa altivez, mas acho que isso deve ser colocado no nosso horizonte eventual. Não há lugar para armas nucleares em uma civilização de gente boa e honrada.

Nesse meio tempo, no entanto, nunca devemos esquecer por um momento que todos nós vivemos sob a espada de Dâmocles, que é a bomba.

Notas

9. Está fora do âmbito deste ensaio discutir a exatidão da narrativa convencional sobre o Holocausto. Na medida em que a política nuclear está em causa, o que realmente importa é  que apenas os sionistas e seus partidários fervorosos acreditam nela.

10. Greg Johnson, “Lidando com o Holocausto,” em O Observador Ocidental (20 de Julho de 2012), disponível em http://www.theoccidentalobserver.net/2012/07/dealing-with-the-holocaust/.

11. David Perlmutter, “Israel: Pensamentos Obscuros e Desespero Silencioso,” em The Los Angeles Times(07 de Abril de 2002), disponível em http://articles.latimes.com/2002/apr/07/opinion/op-perlmutter.

12. Citado em David Hirst, “O Jogo da Guerra,” em The Guardian (20 de Setembro de 2003), disponível em http://www.guardian.co.uk/world/2003/sep/21/israelandthepalestinians.bookextracts.

Source: http://legio-victrix.blogspot.com/2012/12/a-politica-da-guerra-nuclear.html

 

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