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Licurgo e o Estado Espartano

3,651 words

English original here

“E Teopompo, quando um estranho continuou a dizer, conforme ele lhe demonstrou gentileza, que em sua própria cidade ele era considerado amante de Esparta, disse: ‘Meu bom senhor, melhor seria para ti ser chamado amante de tua própria cidade’.” – Plutarco [1]

Assim como Mussolini olhava para a Roma Antiga por um modelo de uma sociedade sadia e orgânica, os antigos romanos olhavam para Esparta. No primeiro século, conforme Roma continuava sua ascensão imperial a uma dominação quase hemisférica, a distância entre a virtuosa nobreza republicana e a espalhafatosa nobreza imperial começou a alertar muitos para o potencial de degeneração social. Um desses era Plutarco, um sábio romano de origem grega.

Plutarco é melhor conhecido por sua série de vidas paralelas dos mais virtuosos gregos e romanos, escrita para explicar as virtudes e vícios particulares que ou elevam ou subordinam um povo. Sua “Vida de Licurgo”, assim, é menos uma história celebratória do lendário rei que transformou Esparta da típica pólis grega no maior estado guerreiro na história ocidental do que uma descrição desse estado. Suas lições não são menos assombrosas para americanos contemporâneos do que eram para os romanos imperiais. E, enquanto muitos gregos, romanos, e escritores contemporâneos exploraram as origens da Esparta guerreira, a “Vida de Licurgo” de Plutarco permanece a única fonte necessária sobre o tema.

A Esparta de Licurgo nasceu da decadência. Como o mentor do jovem rei espartano Carilau, seu sobrinho, Licurgo desempenhou um papel como o de Catão. Ele transmitiu virtudes conservadoras e austeras ao jovem rei, buscando represar o amor por dinheiro e ostentação entre a nobreza da cidade. Quando essa tática incomodou a elite espartana, Licurgo deixou a cidade e viajou pela Grécia e Ásia. Ele descobriu os épicos homéricos e visitou o Oráculo de Delfos. Lá, sacerdotes de Apolo lhe disseram que sob sua orientação um estado se tornaria o mais poderoso na Grécia. Assim, com o apoio de Apolo, ele retornou para Esparta e recebeu comando legal da cidade. [2] Ele imediatamente estabeleceu um sistema social no qual a decadência seria impossível.

Licurgo buscou acima de tudo acabar com a vaidade, fraqueza e extravagância do povo espartano. Politicamente, ele desenvolveu um sistema de governo dualmente senatorial e monárquico que governava para o bem do estado, e não somente para seus cidadãos mais ricos. Antes de Licurgo, os reis das duas famílias reais governavam Esparta, um modelo já desenvolvido para limitar a tirania. Ao acrescentar o senado, Licurgo buscou somente ampliar a estabilidade política, [3] compreendendo que a democracia só era tão valiosa quanto seus súditos eram nobres. [4]

Assim enquanto os atenienses fizeram da democracia a razão do estado, Licurgo fez da nobreza a racionalidade da vida espartana. As vidas espartanas individuais estavam subordinadas a esse ideal. [5] Mas o que fez da nobreza licurgana tão extraordinária era que, primeiro, ela só era alcançável pelos guerreiros mais corajosos, fortes e completos – e suas mulheres; e segundo, o quão longe o estado ia em gerar esse tipo de nobreza.

Assim como vimos no pensamento fascista italiano, [6] Licurgo estava interessado nos instintos humanos. Contextualmente falando, porém, nós não damos a este tanto crédito quanto aos primeiros. Pois Licurgo vivia em uma época muito distante dos entendimentos modernos sobre a separação entre mente e corpo. O ideal grego, então, era possível precisamente porque o corpo era compreendido como manifestação externa da mente. O que é notável na Esparta de Licurgo, porém, é a compreensão do elo entre instinto e concepção; e é essa compreensão que fazia dos guerreiros os mais nobres dos nobres. Em outras palavras, o treinamento espartano não era estruturado para criar corpos e conceitos guerreiros, mas instintos guerreiros, dos quais os corpos eram meros sintomas. Daí a importância colocada na ética e no ambiente, como veremos abaixo.

Licurgo pegou um ideal e o transformou no objetivo do estado e seus súditos. Mas enquanto a nobreza grega havia se tornado associada com riqueza hereditária, criando um sistema auto-perpetuador de luxúria e qualidade (ao qual os modernos devem muito do valor do legado helênico, em particular) Licurgo transvalorou a nobreza, fazendo dela algo somente alcançável pelo serviço violento (e sua preparação) ao estado. Ele sentia mais profundamente do que outros gregos a relação entre nobreza e forma humana – conceitualmente e fisiologicamente – e a ideia de treinar estes em consonância. E, ele reformou o estado espartano para se tornar uma fábrica de nobreza corpórea. Foram suas reformas sociais e psicológicas para esse fim que foram críticas para a transformação de Esparta, estabelecendo, como elas fizeram, os refeitórios, a agogê (significando abdução, mas também liderança e treinamento), e a eugenia que deram conteúdo aos guerreiros espartanos.

As primeiras tarefas de Licurgo, como estabelecer o senado, foram desenvolvidas para modificar o clima político e social imediato da cidade. Ele redistribuiu toda a terra em Esparta de modo que cada família cidadã tinha um pequeno pedaço de terra para cultivar. Ele também baniu a moeda cunhada, instituindo o comércio com barras de ferro banhadas em vinagre, tornando quase impossível acumular riqueza. [7] Quase todas as formas de iniquidade desapareceram de Esparta, escreve Plutarco, “pois quem roubaria ou receberia como suborno, ou furtaria ou saquearia aquilo que não poderia ser nem oculto, nem possuído com satisfação, não, nem mesmo cortado em pedaços com qualquer lucro?” [8] Em outro lugar, Plutarco explica que a riqueza “não despertava inveja alguma, nem trazia honra alguma” a seu portador espartano. [9]

Ainda que a maioria dos artesãos tenha abandonado Esparta quando não mais havia uma maneira de comercializar seus bens, Licurgo agravou sua miséria banindo quaisquer artes “desnecessárias e supérfluas”. [10] Quando não em campanha, os homens espartanos passavam seu tempo em festivais, caçadas, exercícios, e instruindo a juventude. [11] Dentro de meses das reformas monetárias de Licurgo, se tornou impossível comprar bens estrangeiros, receber cargas estrangeiras, contratar professores de retórica ou visitar videntes e prostitutas em Esparta. Ainda que tais restrições não fossem motivadas pelo desejo de proteger ou desenvolver os ofícios de artesãos, bens localmente produzidos logo se tornaram desejados por todo o mundo grego. [12] Após se estabelecer os limites do que seria permitido em Esparta, Licurgo dirigiu as vistas para a educação com vistas à nobreza.

Para garantir a unidade e aptidão gastronômica dos homens espartanos, Licurgo criou um sistema de refeitórios nos quais homens e guerreiros jovens jantavam juntos. Estudiosos apontaram para os refeitórios como um elemento crucial das reformas de Licurgo, e um que só fazia sentido pela compreensão de Licurgo do relacionamento próximo entre mente e corpo. Como Plutarco explica, o refeitório garantia mais do que coesão social, fornecendo um fórum para a manutenção do próprio guerreiro:

“Com vistas a atacar o luxo, [Licurgo] … introduziu os refeitórios comuns para que pudessem comer uns com os outros em companhias, comidas comuns e especificadas, e não tomar suas refeições em casa, reclinados em sofás caros em mesas caras, se entregando nas mãos de servos e cozinheiros para serem engordados no escuro, como animais vorazes, arruinando não somente seus caráteres como seus corpos.” [13]

O infame agogê operava com motivações similares. Rompendo com a tradição grega – Xenófono explica que Licurgo literalmente transvalorou todas as práticas de educação e criança infantil gregas [14] – nenhum tutor ou educação privada eram permitidos em Esparta. O estado espartano, ao invés, educava todos os garotos desde os sete anos de idade, independentemente de seu status familiar. No agogê garotos eram treinados para disciplina, coragem e luta. Eles aprendiam somente o suficiente de leitura e escrita para servirem seu propósito como guerreiros, com sua educação “calculada para lhes fazer obedecer bem a comandos, resistir a privações e conquistar em batalha”. [15] Similarmente, os garotos ficavam de pés no chão e em maior parte sem roupa para que pudessem funcionar melhor em terrenos rústicos e clima inclemente. Roupas, Xenófono explica, se considerava como encorajando o afeminamento e uma inabilidade em lidar com variações na temperatura. [16]

Bem como pouco vestidos, os meninos no agogê eram pouco alimentados e encorajados a roubar comida. Isso lhes ensinava a resolver o problema da fome com as próprias mãos com esperteza e ousadia [17] e encorajava o desenvolvimento de instintos guerreiros. [18] Para promover esse desenvolvimento, os garotos eram forçados a viver por um período no ermo montanhoso, sem armas, e não vistos. [19] Se os garotos fossem pegos roubando, seus superiores no agogê lhes espancavam. Kennell debate a lenda de que esses espancamentos tinham consequências fatais. Afinal, um jovem espartano era o foco de todo o sistema social, e não seria morto prematuramente. Outra parte da lenda não é discutível, porém: os garotos não apanhavam por terem furtado, mas por terem sido medíocres o bastante para terem sido capturados. [20]

Voltando ao refeitório, os garotos, como responsabilidade comum de todos os cidadãos homens de Esparta, estavam constantemente cercados por “pais, tutores e governadores”. [21] No jantar, os garotos eram questionados sobre virtudes e vícios, comandados a responder em estilo simples e honesto, agora chamado de lacônico (depois lacedemônio). Normalmente essas perguntas demandava que eles julgassem a conduta dos cidadãos. Aqueles sem resposta eram considerados deficientes na “vontade de excelência”, como qualquer ausência de resposta, seja por respeito ou ignorância, fosse produto de uma mente pouco crítica. [22]

Na Esparta de Licurgo, os guerreiros governavam porque a guerra, e o preparo para a guerra, havia feito deles os mais virtuosos. Licurgo recebe o crédito por codificar o valor de uma vida limpa de todos os detalhes supérfluos. A vida tão essencializada se tornou não somente o perfeito guerreiro hoplita, se movendo em harmonia com suas coortes, mas também o mais virtuoso e confiável cidadão. Isso porque o treinamento de guerra espartano era desenvolvido primariamente para endurecer a mente contra o medo, a adversidade, e a dor, sobrando clareza e a confiança de conquistar qualquer adversário em qualquer situação. [23]

Polinices, de Steven Pressfield, explica essa concepção de cidadão-modelo:

“A guerra, e não a paz, produz virtude. A guerra, e não a paz, expurga o vício. A guerra, e o preparo para a guerra convoca tudo que é nobre e honrado em um homem. Ela o une a seus irmãos e os liga no amor altruísta, erradicando no crisol da necessidade tudo que é medíocre e ignóbil”. [24]

Mas e quanto aos homens espartanos que não correspondiam a esses ideais nobres e honrados? Xenófono explica que, em Esparta, o homem covarde era, na verdade, um homem sem cidade. Ele era desprezado em todas as áreas da vida pública, incluindo os refeitórios, jogos de bola, ginásio e assembleias. Esse fato da vida pode ser discernido na crença “oficial” espartana de que a morte honrosa valia mais que a vida ignóbil. [25] Xenófono resume todo o sistema social de Licurgo assim: garantir “que os bravos tenham alegria e os covardes miséria”. [26] Enquanto na Itália fascista, homens covardes poderiam ser encorajados a serem “corajosos” em seu próprio contexto, em Esparta os homens só tinham um caminho para a coragem – a guerra e o preparo para a guerra.

A agogê tem sido central para as visões acadêmicas e populares de Esparta da antiguidade à modernidade, e justificadamente. Os romanos ficaram tão encantados com a agogê que turistas romanos iam a Esparta somente para visitar seus locais e templos (Ártemis e os Dióscuros desempenhavam papéis importantes na instrução religiosa dos jovens). De fato, por volta do ano 100 Roma havia restaurado a agogê em Esparta e a usava como escola para jovens nobres romanos. É somente graças a esse período da agogê que nós sabemos algo sobre sua glória clássica. [27]

E, mesmo que tenhamos sido forçados a especular a partir das poucas anedotas fornecidas por Plutarco e Xenófono em relação ao conteúdo do treinamento da agogê, nós temos uma definição clara de seu propósito. Como Plutarco explica, a agogê era um regime de treinamento sistemático no qual garotos e jovens aprendiam habilidades de guerra (incluindo a disciplina, senso de dever e liderança já discutidas) bem como “os princípios mais importantes e vinculantes que conduzem à prosperidade e virtude de uma cidade”. Estes não eram ensinados somente por aulas e regurgitação, mas “implantados nos hábitos e treinamento dos garotos”, através do que “eles permaneceriam imutáveis e seguros, tendo um elo mais forte que a compulsão”. [28] Como se diz que Licurgo resumiu a lógica da agogê: “Uma cidade será bem fortificada se for cercada por homens bravos e não tijolos”. [29]

Assim como o conteúdo da agogê é especulativo, parece que também o é a compreensão de Licurgo das conexões entre vitalidade conceitual e corpórea. Até agora, só se demonstrou que Licurgo buscava derrotar a fraqueza e o vício com força e nobreza. Porém, a compreensão de Licurgo do corpo e da mente é melhor demonstrada pelo destino das mulheres e crianças espartanas.

Como sugerido acima, os filhos não eram propriedade do pai na Esparta de Licurgo, mas propriedade comum do estado. Diferente de outros estados gregos, em Esparta a decisão de criar uma criança estava com um conselho de anciãos que verificavam os bebês em busca de saúde e vigor. Se um fosse mal nascido e deformado ele era descartado, já que a vida “que a natureza não equipou bem desde o início para a saúde e a força não era vantajosa nem para si mesma ou para o estado”. [30]

Em muitos casos, as crianças espartanas não eram nem produto de um casamento aleatório, “mas projetadas para emergir do melhor que há”. Eugenia. Durante seu tempo de exílio, Licurgo notou algo peculiar sobre os homens gregos. Em Atenas, explica Plutarco, ele viu homens discutindo sobre a linhagem de certos cães e cavalos. E ainda assim, esses mesmos homens geravam crianças mesmo que fossem “idiotas, enfermas ou doentias, como se crianças de estirpe ruim não devessem sua ruindade aos seus pais”. [31] Casamentos e nascimentos eram cuidadosamente regulados, então, sempre com vistas ao bem-estar físico e político da cidade.

Por causa do exagero licúrgico do ideal educacional grego, Plutarco exclamou que a educação das crianças espartanas começava antes do nascimento – um conceito extraordinário, considerando o contexto do século VII a.C. Na realidade ela começava antes da concepção. O que nos leva às mulheres espartanas como mães. Singularmente no mundo grego clássico, as mulheres espartanas se exercitavam lado a lado com os homens. Elas corriam, lutavam, e arremessavam disco e dardo, para que pudessem lidar facilmente com o parto, e para que sua prole tivesse uma “raiz vigorosa em corpos vigorosos”. [32]

Licurgo possuía uma lógica eugênica bem concebida, acreditando que o corpo humano aumentaria de tamanho quando não entulhado por excesso de nutrição. Coisas que são bem nutridas, ele notou, tendem a crescer grossas e largas, ambas coisas que iam contra os ideais de beleza e divindade. Assim, enquanto a magreza marcava a forma humana como mais bela, ela também a aproximava do divino. Porém, para as mães e sua prole, os benefícios também eram mundanos; já que mães que se exercitavam supostamente geravam crianças magras porque a leveza da matéria genetriz tornava a prole mais suscetível a ser moldada. [33]

Após o nascimento, as crianças eram criadas sem serem enfaixadas para que seus membros se desenvolvessem de modo livre e robusto. [34] Garotos no agogê usavam uma simples tanga, e homens pouco mais. Aos grupos de garotos e homens seminus se juntavam as garotas e mulheres seminuas. Talvez a mais deliciosa transvaloração de valores decantes por Licurgo tenha sido seu comando de que em Esparta, a condição sadia do próprio corpo deveria ser mais estimada do que o preço das próprias roupas. [35] Nudez e um código rígido de beleza física – que equiparava beleza a nobreza – parecem estímulos potentes para a saúde; isso sem falar na crença de que o comprometimento com a beleza e a nobreza era de grande benefício para si mesmo, para a própria prole, e para o próprio povo.

Licurgo acreditava que a escassez de roupa encorajava nas mulheres o hábito de viver com simplicidade. Mais ainda, porém, ele queria que as mulheres espartanas desejassem ardentemente um corpo sadio e belo. E porque o caminho para a saúde e para a beleza levava ao ginásio e ao campo esportivo, um corpo feminino belo garantia que seu portador possuísse “coragem, ambição e um gosto por sentimentos elevados”. [36]

Em lugar algum no mundo antigo as mulheres eram tão integradas na lógica social e política de um povo. Como resultado das reformas de Licurgo, as garotas espartanas eram educadas para princípios e padrões de coragem, disciplina e honra similares aos garotos. Elas eram alfabetizadas. Elas realizavam rituais públicos para Ártemis e Apolo. Elas eram atléticas o bastante para ganhar medalhas nos jogos olímpicos – mesmo quando competindo contra homens. E elas eram conhecidas por sua “vitalidade, graça e vigor”. [37]

Enquanto isso em Atenas, as garotas não recebiam qualquer educação além dos deveres domésticos de uma esposa e mãe. E elas viviam vidas de reclusão, sem atenção para como sua degeneração física poderia afetar Atenas. [38] Daí a reação escandalosa provocada pelas mulheres espartanas. Pois era o estado das mulheres que provocava a ideia de que os homens espartanos eram meros escravos das mulheres. [39] Mas é também a fonte do sentimento, expressado tão sucintamente pela Gorgo, de Zack Snyder, de que “Só mulheres espartanas parem homens de verdade”. Incidentalmente, a linha vem de Plutarco e não de Frank Miller. [40]

Licurgo usou filosofia política e fisiologia para combater a degeneração. E enquanto Esparta pode parecer um lugar assustador para homens modernos, esse é precisamente seu valor. Pois Esparta se destaca como o lugar que valorizava a nobreza física e conceitual de seus cidadãos acima de tudo o mais.

Plutarco descreveu o legado da Esparta de Licurgo como um exemplo do que é possível quando todo um povo vive e se comporta ao modo de um único homem sábio treinando para a guerra. [41] Sabedoria, treinamento e guerra: três dos traços clássicos mais amaldiçoados pela modernidade – ao menos segundo o modo como eles eram compreendidos e praticados por povos clássicos. Acima foi sugerido que as lições de Esparta seriam tão chocantes para um romano quanto para um americano. Ainda assim, isso talvez não seja tão verdade; e a razão está na natureza da afirmação de Plutarco sobre Esparta agindo como um único homem sábio. Pois, em efeito, essa foi a explicação de Plutarco da eficácia das reformas de Licurgo. Assim como sua representação da tomada de poder de Licurgo focada na benção de Apolo e na vontade de um punhado de homens, de modo que aqui Plutarco não vê qualquer lógica moderna em funcionamento; mas ao invés um caminho natural de escolha para homens verdadeiramente nobres.

Pois, segundo Plutarco, o que Licurgo fez foi estabelecer uma aristocracia ética divinamente sancionada às custas de uma aristocracia monetária. Essa era uma aristocracia na qual se devia nascer, mas também para a qual se devia nascer. Licurgo incorporou cada espartano vivo na aristocracia, por virtude de estar vivo. Um garoto espartano se saberia digno da nobreza que lhe era demandada simplesmente porque ele havia sido escolhido no nascimento e progredido através do treinamento da agogê. Se pode imaginar que a dureza da vida espartana teria sido aceita bem mais prontamente por alguém provido de uma lógica hereditária e ética para inclusão e aceitação do que pelo homem moderno liberado e atomizado. [42]

Há outro aspecto de Esparta que causa desconforto a homens modernos ainda maias do que a equação de sabedoria e treinamento de guerra, porém: pureza. Nos 300 anos de aderência rígida às reformas de Licurgo, nenhum espartano teve permissão para viver fora do território espartano. Mais ainda, nenhum estrangeiro sem um propósito útil tinha permissão de passar a noite em Esparta. Nenhum deles tinha permissão para ensinar vícios.

“Pois junto com pessoas estranhas, doutrinas estranhas devem vir; e doutrinas novas trazem decisões novas, das quais deve emergir desarmonia dentro da ordem política existente. Portanto Licurgo considerou mais necessário impedir maus costumes de invadirem e infestarem a cidade do que era manter afastadas as doenças infecciosas”. [43]

Esse desejo por pureza social também funciona como parte do sistema de Licurgo de transformação ética e fisiológica. Pois não há razão para crer que homens e mulheres nobres pioram em um ambiente que só favorece sua nobreza. Imagine, ao invés, que o corpo se torna aquilo que o meio espera e de manda dele. A dureza é a única coisa que produz vitalidade corporal. Licurgo acreditava que uma dureza corpórea similar também produzia nobreza conceitual. Assim, ao invés de ensinar tais valores em uma fossa e esperar que a natureza forneceria alguns poucos exemplos de destaque em cada geração, Licurgo se espelhou na natureza, fornecendo um meio que garantisse a Esparta o “bom” em cada cidadão. Isso atende a definição de utopia, mas diferente da utopia anti-natural, moderna e igualitária, a utopia espartana de Licurgo era hiper-natural. Assim como o era sua aristocracia ética.

Essa conquista de um alto padrão de vida nobre era um dever público. Os jovens eram geralmente produto de uma procriação seletiva, e era demandado de todos que estivessem em forma e fossem vitais. Os sentimentos e características maiores e mais nobres disponíveis para o homem só eram alcançáveis pelo esforço físico e pela ação guerreira. A beleza era reservada para os dignos e ativamente negada aos indignos. Em resumo, era demandado que homens e mulheres fossem tão nobres quanto possível fisicamente e conceitualmente. [44] E, enquanto a Itália fascista não foi tão longe para promover a “melhoria eugênica” dos fascistas, ela também compreendeu a relação entre ética, comportamento e meio. Estranhamente, a ciência pós-moderna concorda, mesmo que seja para usar esse conhecimento para promover uma comunidade burguesa global privada de conflitos. Não obstante, o próximo artigo explicará como a química do corpo é influenciada pelo meio, abrindo grandes possibilidades para colocar o corpo diretamente no centro de uma guerra contra a modernidade burguesa; e mais, à mercê da compreensão nietzscheana de instintos, corpo e vitalidade conceitual.

Source: http://legio-victrix.blogspot.com/2012/10/licurgo-e-o-estado-espartano.html

 

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