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Ernst Jünger e O Trabalhadorr:
Uma trajetória vital e intelectual entre os deuses e os titãs

Ernst Jünger and his brother Friedrich Georg Jünger

3,510 words

English version, Part 1 and Part 2

Ao evocar O Trabalhador, ao mesmo tempo que a primeira versão de Coração Aventureiro, o ensaísta Armin Mohler, autor de um manual que converteu-se em um clássico sobre a revolução conservadora alemã (Die Konservative Revolution in Deutschland, 1918-1932), escreve: “Ainda hoje, não posso aproximar-me a essas obras sem sentir uma certa turbação”. Em outra parte, qualificando a O Trabalhador de “bloco errático” no seio da obra de Ernst Jünger, afirma: “Der Arbeiter é algo mais que uma filosofia: é uma criação poética”. O termo é apropriado, acima de tudo se admite-se que toda poesia fundadoria é ao mesmo tempo reconhecimento do mundo e revelação dos deuses. Livro “metálico” – estamos tentados a empregar a expressão “tempestade de aço” – O Trabalhador possui, em efeito, uma transcendência metafísica, que vai mais além do contexto histórico e político no qual foi escrito. Sua publicação não somente marcou uma data capital na história das idéias, senão constitui na obra jüngeriana um tempo de reflexão que não deixou de fluir, qual veia oculta, ao longo da vida de seu autor.

Nascido em 29 de março de 1895 em Heidelberg, Jünger fez seus primeiros estudos em Hannover, em Schwazenberg, nos Montes Metálicos, Braunschweig, novamente em Hannover, assim como na Scharnhorst-Realschule de Wunstorf. Em 1911, adere à seção de Wunstorf dos Wandervögel. Esse mesmo ano, publica seu primeiro poema (Unser Leben) no jornal local daquela organização juvenil. Wm 1913, à idade de 18 anos, foge do lar paterno. Objetivo de sua fuga: alistar-se em Verdún na Legião Estrangeira. Alguns meses mais tarde, depois de uma curta estância em Argel e uma fase de instrução em Sidi-bel-Abbés, seu pai convence-lhe a voltar para a Alemanha. Retoma seus estudos no Gildemeister Institut de Hannover, onde familiarizar-se-á com a obra de Nietzsche.

A Primeira Guerra Mundial começa em primeiro de agosto de 1914. Jünger converte-se em combatente voluntário. Ingressa no 73º Regimento de fuzileiros e recebe a ordem de marcha em 6 de outubro. Em 27 de dezembro parte para a frente de Champagne. Combate em Dorfes-les-Epargnes, em Douchy, em Monchy. Chefe de seção em agosto de 1915, alferes em novembro, segue a partir de 1916 um curso para oficiais em Croisilles. Dois meses mais tarde participa nos combates de Somme, onde é ferido duas vezes. De novo na frente, em novembro, com patente já de tenente, é outra vez ferido, desta vez próximo de Saint-Pierre-Vaast. Em 16 de dezembro é condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª classe. Em fevereiro de 1917 é elevado a Strosstruppführer, chefe de comando de assalto. É o momento em que a guerra atolou-se, ao tempo em que as perdas humanas adquirem uma terrível dimensão. Do lado francês, apresta-se à sangrenta e inútil ofensiva de Chemin des Dames. À cabeça de seus homens, Jünger desliza pelas trincheiras e multiplica golpes de mão. Escaramuças incessantes, novas feridas: em julho, na frente de Flandres, e também em dezembro. Jünger é condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem dos Hohenzollern. Durante a ofensiva de março de 1918 continua capitaneando seus soldados em múltiplas escaramuças. É ferido uma vez mais. Em agosto, novas feridas, desta vez próximo de Cambrai. Finaliza a guerra em um hospital militar, depois de ter sido ferido catorze vezes! Isso vale-lhe a Cruz “Pelo Mérito”, a mais importante condecoração do exército alemão. Somente doze oficiais subalternos de terra, entre eles o futuro marechal Rommel, reeberão dita distinção ao longo da Primeira Guerra Mundial.

“Somente vivia-se para a Idéia”

De 1918 a 1923, Jünger, aquartelado na Reichswehr de Hannover, começa a escrever seus primeiros livros impregnados da experiência que aportou-lhe sua presença na frente. Tempestades de aço, publicado em 1919 por conta do autor e reeditado em 1922, conhecerá grande êxito. Seguir-lhe-ão A Guerra Como Experiência Interior (1922), O Bosque 125 (1924), Fogo e Sangue (1925). Não tardará Jünger em ser considerado como um dos escritores mais brilhantes de sua geração, como recordou-nos Henri Plard, inclusive se apelamos a seus artigos sobre a guerra moderna publicados na Militär-Wochen-blatt.

Porém Jünger não sente-se cômodo em um exército na paz. Tampouco é-lhe tentadora a aventura dos Freikorps. Em 31 de agosto de 1923, abandona a Reichswehr e matricula-se na Universidade de Leipzig para estudar biologia, zoologia e filosofia. Terá como professores a Hans Driesch e Felix Krüger. Em 3 de agosto de 1925 casa-se com Gretha von Jeinsen, de dezenove anos, que dar-lhe-á dois filhos: Ernst, nascido em 1926, e Alexander, em 1934. Durante esse período, suas idéias políticas amadurecem na mesma direção da efervescência que agita quaisquer facções da opinião pública alemã: o vergonhoso Tratado de Versalhes, o qual a República de Weimar aceitou sem vacilar todas as cláusulas e a que somente aceitar-se-á como um insuportável Diktat. No transcurso de uns meses converte-se em um dos principais representantes dos meios nacional-revolucionários, importante grupo da Revolução Conservadora situado à “esquerda”, junto aos movimentos nacional-bolcheviques agrupados ao redor de Niekisch. Seus escritos políticos inscrevem-se no período médio republicano (a “era Stresemann”) que finaliza em 1929, tempo de trégua provisória e de aparente calma. Jünger dirá mais tarde: “Somente vive-se para a idéia”.

Suas idéias expressaram-se primeiramente em revistas. Em setembro de 1925, o antigo chefe dos Freikorps, Helmut Franke, que acabava de publicar um ensaio sob o título Staat im Staate, lança a revista  Die Standarte, que trata de aportar uma “contribuição ao aprofundamento espiritual do pensamento do fronte”.

Jünger pertencerá a sua redação, em companhia de outro representante do “nacionalismo dos soldados”, o escritor Franz Schauwecker, nascido em 1890. Die Standarte foi, em princípio, suplemento do semanário Der Stahlhelm, órgão da associação de antigos combatentes do mesmo nome dirigido por Wilhelm Kleinau. Die Standarte tinha uma tiragem nada desprezível: ao redor de 170.000 leitores. Entre setembro de 1925 e março de 1926, Jünger publica dezenove artigos. Helmut Franke assina os seus com o pseudônimo “Gracchus”. A jovem direita nacional-revolucionária expressa-se ali: Werner Beumelburg, Franz Schauwecker, Hans Henning von Grote, Friedrich Wilhelm Heinz, Goetz Otto Stoffengen, etc.

Nas páginas de Die Standarte, Jünger adotará logo um tom muito radical, distinto ao da maioria dos membros do Stahlhelm. A partir de outubro de 1925, critica a tese da “punhalada nas costas” (Dolchstoss) que teria representado para o exército alemão a revolução de novembre (tese quase unânime nos meios nacionais). Chegou inclusive a sublinhar como alguns revolucionários de extrema esquerda foram valorosos combatentes durante a guerra. Afirmações deste tipo suscitaram vivas polêmicas. A direção do Stahlhelm põe-se em guarda e decide distanciar-se da jovem equipe jornalística. Em março de 1926 a publicação desaparece, para renascer ao mês seguinte com o nome abreviado de Standarte, com Jünger, Schauwecker, Kleinau e Franke como coeditores. Neste momento, os laços com o Stahlhelm não romperam-se ainda; os antigos combatentes continuam financiando indiretamente a Standarte, publicado pela casa editore de Seldte, a Frundsberg Verlag. Jünger e seus amigos reafirmam o melhor de sua vontade revolucionária. Em 3 de junho de 1926 Jünger publica um chamamento à unidade dos antigos combatentes do fronte com o objetio de fundar uma “república nacionalista dos trabalhadores”, convocatória que não terá eco. Em agosto, a pedido de Otto Hörsing – cofundador da Reichsbanner Schwarz-Rot-Gold, a milícia de segurança dos partidos socialdemocrata e republicano – o governo, tomando como pretenxto um artigo sobre Reithenau aparecido em Standarte, fecha a revista durante cinco meses. Moment que Seldte aproveita para relevar a Helmut Franke suas responsabilidades. Em solidariedade com Franke, Jünger aparta-se do jornal e em novembro, junto ao próprio Franke e a Wilhelm Weiss, inicia a edição de uma nova publicação entitulada Arminius. (Standarte aparecerá até 1929, sob a direção de Schauwecker e Kleinau).

Em 1927 Jünger marcha de Leipzig para instalar-se me Berlim, onde estabelecerá estreitos contatos com antigos membros dos Freikorps e com meios da juventude bündisch. Estes últimos, oscilando entre a disciplina militar e um espírito de grupo muito fechado, tratam de conciliar o romantismo aventureiro dos Wandervögel com uma organização de tipo mais comunitário e hierarquizado. Jünger trava uma especial amizade com Werner Lass, nascido em Berlim em 1902, e fundador em 1924, junto ao antigo chefe dos Freikorps Rossbach, da Schilljugend (movimento juvenil com cujo nome perpetua-se a memória do major Schill, caído na luta de liberação contra a ocupação napoleônica). Em 1927 Lass separa-se de Rossbach para fundar a Freischar Schill, grupo bündisch do qual Jünger será mentor (Schirmherr). De outubro de 1927 a março de 1928 Lass e Jünger associam-se para publicar a revista Der Vormarsch, fundada em junho de 1927 por outro famoso chefe dos Freikorps, o capitão Ehrhardt.

“Perder a guerra para ganhar a nação”

Durante este período, Jünger experimentou não poucas influênicas literárias e filosóficas. A guerra, o fronte, permitiram-lhe a mesma tripla experiência de certos escritores franceses de fins do século XIX, como Huysmans e Léon Bloy, que desemboca em um certo expressionismo que deixa-se perceber em A Guerra Como Experiência Interior e, acima de tudo, na primeira versão de Coração Aventureiro, e em uma espécie de “dandysmo” baudeleriano em Sturm, obra novelesca de juventude, tardiamente publicada, que leva claramente esta marca. Armin Mohler, nesta linha, comparou o jovem Jünger com o Barrés do Roman de l’énergie nationale: para o autor de A Guerra Como Experiência Interior, como para o de Scènes et doctrines du nationalisme, o nacionalismo, substituto religioso, modo de expansão e de reforço da alma, resulta acima de tudo uma opção deliberada, sendo o aspecto decisório desta orientação o que deriva do estouro das normas, consequência da Primeira Guerra Mundial.

A influência de Nietzsche e de Spengler é evidente. Em 1929, em uma entreivsta concedida a um jornal britânico, Jünger definir-se-á como “discípulo de Nietzsche”, sublinhando o fato de que este foi o primeiro em recusar a ficção do homem universal e abstrato, “rompendo” dita ficção em dois tipos concretos e diametralmente opostos: o forte e o fraco. Em agosto de 1922 lê com fruição o primeiro tomo de A Decadência do Ocidente e é no momento da publicação do segundo, em dezembro do mesmo ano, quando escreve Sturm. Porém, como ver-se-á, Jünger não resignar-se-á em ser um passivo discípulo. Está longe de seguir a Nietzsche e a Spengler na totalidade de suas afirmações. O declive do Ocidente não será, desde seu ponto de vista, uma fatalidade inelutável; há outras alternativas a uma simples aceitação do reino dos “Césares”. Assim mesmo, retoma por sua conta o questionamento nietzscheano, que deseja perfilar de uma vez por todas.

A guerra, a final de contas, foi a experiência mais impactante. Jünger aporta, em primeiro lugar, a lição do agônico. Ardor, nunca ódio: o solsado que está do outro lado da trincheira não é uma encarnação do mal, senão uma simples figura da adversidade do momento. Jünger, portanto, carece de inimigo absoluto (Feind): ante si somente existe o adversário (Gegner), confirmando-se assim o combate como “coisa sempre de santos”. Outra lição é que a vida nutre-se da mrote e esta daquela: “O saber mais preioso que aprendeu-se na escola da guerra, escreverá Jünger, em sua intimidade mais secreta, é indestrutível”.

Para alguns, a guerra foi entregue. Porém em virtude do princípio de equivalência dos contrários, o desastre concitará uma análise positiva. A derrota ou a vitória não é o que mais importa. Essencialmente ativista, a ideologia nacional-revolucionária professa um certo desprezo pelos objetivos: combate-se, não para conseguir a vitória, senão para guerrear.” A guerra, afirma Jünger, não é tanto uma guerra entre nações, como uma guera entre raças de homens. Em todos os países que inverviram na guerra, há ao mesmo tempo vencedores e vencidos”. (A Guerra Como Experiência Interior). Mais ainda, a derrota pode chegar a converter-se no fermento da vitória. E chega a pulsar a condição mesma desta vitória. No epígrafe de seu livro Aufbruch der Nation, Franz Schauwecker escreveu esta estremecedora frase: “Era preciso que perdêssemos a guerra, para ganhar a nação”. Recordava, talvez, esta outra de Léon Bloy: “Tudo o que chega é adorável”. Jünger, por sua parte, sustenta: “A Alemanha foi vencida, porém esta derrota foi saudável porque contribuiu para o desaparecimento da velha Alemanha (…) Era preciso perder a guerra para ganhar a nação”. Vencida pelos aliados, a Alemanha pôde volver-se para si mesma e transformar-se revolucionáriamente. A derrota devia ser aceita com fins de Transmutação, de maneira quase alquímica; a experiência do fronte devia ser “transmutada” em uma nova experiência vital para a nação. Tal era o fundamento do “nacionalismo dos soldados”. É na guerra, diz Jünger, onde a juventude adquiriu “a segurança de que os antigos caminhos não levam a nenhuma parte, e que é preciso abrir outros novos”. Colheita irreversível (Umbruch), a guerra aboliu os vetustos valores. Toda atitude reacionária, qualquer desejo de marcha para trás é impossível. A energia de ontem era utilizada em lutasp ontuais da pátria e pela pátria, porém no sucessivo servirá à pátria sob outra forma. A guerra, dito de outro modo, fornecerá o modelo de paz.

Em O Trabalhador, pode ler-se: “O fronte da guerra e o fronte do trabalho são idênticos”. A idéia central é que a guerra, por superficial e pouco significativa que possa parecer, tem um sentido profundo. Não pode ser apreendida através de uma compreensão racional, senão que unicamente pode ser pressentida. A interpretação positiva que Jünger dá da guerra não está, contrariamente ao que costuma-se dizer, essencialmente ligada à exaltação dos “valores guerreiros”. Procede da inquietude política de buscar como o sacrifício dos soldados mortos não deve nem pode ser considerado inútil.

A partir de 1926 Jünger faz vários chamamentos para a formação de um fronte unido de grupos e movimentos nacionais. Ao mesmo tempo, trata – sem muito êxito – de assinalar-lhes o cmainho de uma necessária autotransformação. Também o nacionalismo precisa ser “transmutado” alquimicamente. Deve desembaraçar-se de toda vinculação sentimental com a velha direita e converter-se em revolucionário, dando fé do declive do mundo burguês, fato que podemos observar tanto nos romances de Thomans Mann (Die Buddenbrooks) como nos de Alfred Kurbin (Die andere Seite).

Desde esta perspectiva, o essencial é a luta contra o liberalismo. Em Arminius e em Der Vormarsch Jünger ataca a ordem liberal simbolizada pelo literato, o intelectual humanista partidário de uma verdadeira sociedade “anêmica”, o internacionalista cínico ao que Spengler aponta como verdadeiro responsável da revolução de novembro e propagador do tipo consistente em que os milhões de mortos da Grande Guerra pereceram por nada. Paralelamente estigmatiza a “tradição burguesa” que reclamam para si os nacionais e os aderentes ao Stahlhelm, esses “pequeno-burgueses” (Spiessbürger) que, favoráveis à guerra, escapuliram-se atrás da pele do leão”. Ataca sem trégua o espírito guilhermino, o culto ao passado, o gosto dos pangermanistas pela “museologia” (musealer Betrieb). Em março de 1926 define pela primeira vez o termo “neonacionalismo”, que opõe ao “nacionalismo dos antepassados” (Allväternationalismus). Defende a Alemanha, porém a nação é para ele muito mais que um território. É uma idéia: Alemanha é fundamentalmente aquele conceito capaz de inflamar os espíritos. Em abril de 1927, em Arminius, Jünger autodefine-se implícitamente nominalista: declara não crer em verdade geral alguma, em nenhuma moral universal, em nenhuma noção de “homem” como ser coletivo possuidor de uma consciência e direitos comuns. “Cremos, dirá, no valor do singular” (Wir Glauben an den Wert des Besonderen). Em uma época em que a direita tradicional aposta pelo individualismo frente ao coletivismo, ou os grupos völkisch refugiam-se na temática do retorno à terra e à mística da “natureza”, Jünger exalta a técnica e condena o indivíduo. Nascida da racionalidade burguesa, explica em Arminius, a todo-poderosa técnica revolve-se contra quem engendrou-a. O mundo avança para a técnica e o indivíduo desaparece; o neonacionalismo deve ser a primeira tendência em extrair essas lições. É mais, será nas grandes cidades em que “a nação será ganha”; para os nacional-revolucionários, “a cidade é um fronte”.

Ao redor de Jünger constitui-se o chamado “grupo de Berlim”, em cujo seio encontraremos a representantes das diferentes correntes da Revolução Conservadora: Franz Schauwecker e Helmut Franke; o escritor Ernst von Salomon; o nietzscheano-anticristão Friedrich Hielscher, editor de Das Reich; os neoconservadores Augusto Winnig (o qual Jünger conhecerá no outono de 1927 por mediação do filósofo Alfred Baeumler) e Albrecht Erich Günther, coeditor – junto a Wilhelm Stapel – do Deutsches Volkstum; os nacional-bolcheviques Ernst Niekisch e Karl O. Paetel e, sem dúvida, a seu irmão e reconhecido teórico Freidrich Georg Jünger. Friedrich Georg, cujas posições terão uma grande influência na evolução de Ernst, nasceu em Hannover em 1 de setembro de 1898. Sua carreira correu paralela a de seu irmão. Voluntário na Grande Guerra, participa em 1916 nos combates do Somme, alcançando a função de comandante de companhia. Em 1917, gravemente ferido no fronte de Flandres, passa vários meses em distintos hospitais militares. De regresso a Hannover, concluída a guerra, e após um breve parêntese como tenente da Reichswehr, em 1920, inicia seus estudos de Direito, redatando sua tese doutoral em 1924. A partir de 1926 envia seus artigos regularmente às revistas nas quais colabora seu irmão: Die Standarte, Arminius, Der Vormarsch, etc, e publica na coleção “Der Aufmersch” dirigida por Ernst, um breve ensaio entitulado Aufmarsch des Nationalismus. Influenciado por Nietzsche, Sorel, Klages, Stefan George, e Rilke, a quem frequentemente cita em seus trabalhos, consagrar-se-á ao ensaio e à poesia. O primeiro estudo que sobre ele publica-se, enquadra-o no “estilo prussiano”.

Em abril de 1928 Ernst Jünger confia a sucessão da direção da revista Der Vormarsch a seu amigo Friedrich Hielscher. Alguns meses mais tarde, em janeiro de 1930, converte-se junto a Werner Lass no diretor de Die Kommenden, semanário fundado cinco anos antes pelo escritor Wilhelm Kotzde – que exerceu uma grande influência sobre os movimentos juvenis de ideologia bündisch e de maneira muito especial sobre a tendência deste movimento que evoluirá para o nacional-bolchevismo, representado por Hans Ebeling, e acima de tudo, por Karl O. Paetel – colaborando ao mesmo tempo em Die Kommenden, em Die sozialistische Nation e nos Antifaschistische Briefe.

Trabalha também para a revista Widerstand, fundada e dirigida por Niekisch em meados de 1926. Ambos conehcer-se-ão no outono de 1927 estabelecendo-se uma sólida amizade. Jünger escreverá: “Se quer resumir o programa que Niekisch desenvolve em Widerstand em uma frase alternativa, esta poderia ser: contra o burguês e pelo Trabalhador, contra o mundo ocidental e pelo Leste”. O nacional-bolchevismo, no que por outra parte confluem múltiplas e variadas tendências, caracteriza-se de fato por sua idéia da luta de classes a partir de uma definição comunitária, coletivista se quer-se, da idéia de nação. “A coletivização, afirma Niekisch, é a forma social que a vontade orgânica deve possuir se quer afirmar-se frente aos efeitos mortíferos da técnica”. Segundo Niekisch, o movimento nacional e o movimento comunista tem, a final de contas, o mesmo adversário, como os combates contra a ocupação do Ruhr demonstraram e é a razãp ela qual as duas “nações proletárias”, Alemanha e Rússia, devem buscar um entendimento. “O parlamentarismo democrático liberal foge de toda decisão, declara Niekisch. Não quer bater-se, mas sim discutir (…) O comunismo busca decisões (…) Em sua rudeza, há algo de fortaleza campesina; há nele mais dureza prussiana, ainda que não seja consciente disso, que em um burguês prussiano”. Tais posições impregnam uma facção nada desprezível do movimento nacional-revolucionário. Jünger mesmo, como muito bem captou Louis Dupeux, chegou a estar “fascinado pela problemática do bolchevismo”, ainda que não possamos considerá-lo um nacional-bolchevique em sentido estrito.

Werner Lass e Jünger apartam-se em julho de 1931 de Die Kommenden. O primeiro lança, a partir de setembro, a revista Der Umsturz, que fez as vezes de órgão da Freischar Schill e que, até seu desaparecimento, em fevereiro de 1933, declarar-se-á abertamente nacional-bolchevique. Jünger, não obstante, está em outra disposição espiritual. No transcurso de alguns anos, utilizará toda uma série de revistas como muros onde colar seus carteis – serão os ônibus “aos quais sobe-se e abandona-se por capricho” – seguindo uma linha evolutiva eminentemente política. As consignas formuladas por ele não obtiveram o eco esperado, seus chamamentos à unidade não foram atendidos. Jünger acabará por sentir-se um estranho em qualquer corrente política. Não há mais simpatia pelo nacional-socialismo em ascensão que pelas ligas nacionais tradicionais. Todos os movimentos nacionais, explica em um artigo publicado no Süddeutsche Monatshefte, quer sejam tradicionalistas, legitimistas, economicistas, reacionários, ou nacional-socialistas, extraem sua inspiração do passado e, desde esta perspectiva, são tão somente movimentos quais não cabe mais que qualqificar de “liberais” e “burgueses”. Entre neoconservadores e nacional-bolcheviques, entre uns e outros, os grupos nacional-revolucionários não poderão impor-se. De fato, Jünger já não crê na possibilidade de ação coletiva alguma. Assim sublinhar-lhe-á mais tarde Niekisch em sua autobiografia, e Jünger, que pulsou suficientemente a atualidade, acaba por traçar-se uma via mais pessoal e interior. “Jünger, esse perfeito oficial prussiano que é capaz de submeter-se à disciplina mais dura, escreve Marcel Decombis, não poderá já integrar-se em coletivo algum”. Seu irmão que, a partir de 1928, abandonou a carreira jurídica, evoluirá de igual forma que Ernst. Escreve sobre a poesia grega, o romance americano, Kant, Dostoiévski. Os dois irmãos empreendem uma série de viagens: Sicília (1929), as Baleares (1931), Dalmácia (1932), o Mar Egeu.

Ernst e Friedrich Georg Jünger continuam publicando alguns artigos, principalmente em Widerstand. Porém o período jornalístico de ambos acaba. Entre 1929 e 1932 Ernst Jünger concentra todos os seus esforços em novos livros. É o momento da primeira versão de Coração Aventureiro, o ensaio A Mobilização Total, e O Trabalhador, publicado em Hamburgo no ano de 1932, pela Hanseatische Verlangsanstalt de Benno Ziegler e que antes de 1945 chegará a conhecer várias reedições.

Source: http://legio-victrix.blogspot.com/2011/09/ernst-junger-e-o-trabalhador-uma.html

 

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